É bem real e até necessária se em determinado momento eu for escrever sobre uma realidade diferente da minha.
Terei que me afastar dos pensamentos reais que me causam reações reais.
Os sentimentos, em razão dessa interferência da vontade executada na realidade, devem ser projetados para além do agora.
Se vou fugir, não ficarei. E não ficando, para que tanta bagagem?
E o que é a vida, senão um ventilador gigante que joga desde sentidos à parafernálias ao nosso encontro, nem sempre de leve, nem sempre suave.
Essas vontades projetadas me fazem não só fugir da realidade, como ter sensações antecipadas através da imaginação.
Às vezes me traz esperança, outras vezes frustração.
De qualquer forma, há limites que a realidade se encarrega de colocar, e temos que conviver com isso por bem ou por mal.
Eu poderia dizer que algo faz falta, mas nem vou falar isso neste momento se eu mesma estou um pouco perdida no meu isolamento.
Às vezes é preciso esquecer um pouco os parênteses entre as pessoas, e determinar que as palavras sigam até o ponto final, sem abreviações.
Não, não estou pedindo um diálogo. Eu já nem peço nada faz muito tempo. Quero prestar atenção no meu silêncio.
Já me invadiram demais, e eu não sei qual arrombamento me deixou o vazio que tento explicar a mim mesma.
Por certo, a situação já esteve melhor, até mais colorida, cheia, viva...
Não sei se preto e branco como um retrato borrado que vi jogado em algum canto de mim seria o tom certo para definir o chão e o céu em que subo e desço nesses dias tão estranhos.
Apenas sei que não há para mim a necessidade em separar o que tem cor do que não tem. O que tem luz do que não tem. Nem separar a alegria da tristeza. Porque no fim das contas, eu sou e tenho um pouco de tudo isso em mim. Tudo junto é que me faz sentido.
Gosto assim. Gostem de mim assim, se puderem. Se não for tão complexo entender. Se não for doer.
Eu nunca pedi para ser entendida. Posso apenas assegurar que isso só acontece com quem me sente; e sensibilidade vem em silêncio, vem devagar. Ela descalça, desnuda, interpreta, compreende e capta a verdadeira essência do eu que me pertence, dos outros, das coisas, da existência na paralela do que coexiste. Assim, bem simples.
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