sexta-feira, 13 de junho de 2014

Porque eu sei que é possível um amor que não se utiliza de balanças para fazer escolhas.
Se houvesse só qualidades, amaria.
Se houvesse só defeitos, amaria.
Com receio, com medo, com dúvidas? Sim, com tudo e mais amor.
Ao mesmo tempo que ser livre de pesos e medidas pudesse ser um modo sútil de aprisionamento, esse tipo de amor é flexível à incapacidade que temos de construir um bem-estar inabalável.
É por isso mesmo que quando se está fraco, se está forte. Que quando se está amando; as propriedades, os rótulos, os avisos, as prevenções, as tradições, as opiniões e os conselhos são todos inválidos para determinar a forma que uma vida vai tomar vivenciando a essência de um sentimento tão profundo que transforma tudo em motivos e detalhes que passam a codificar uma cumplicidade.
Como medir uma metamorfose? Como tratar as variáveis, se por causa delas nós podemos reconhecer que estamos vivos? Como admitir que é verdadeiro um amor se ele for manipulável?
E sendo assim, propositalmente (im)perfeito, o modo de amar não tem tamanho nenhum. Ele cabe dentro da gente e se agiganta para além nós.
Ele pesa uma pena, que nos dá a impressão de que flutuamos. E ele é tão firme que nos dá a ilusão de poder vencer o mundo.
Esse jeito de amar é a minha falta de jeito. É meio mágico, mas é uma maldição achar todo o resto da rotina, uma atrofiação involuntária e sistemática.
De qualquer maneira, eu não trocaria por nada a certeza de que amar de todo o coração não é saber o próximo passo.
Eu nunca sei,  e é por isso que nunca paro de amar.

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