Eu recuperei o meu fôlego e coloquei para dentro todo amor
até esmagar outros sentimentos para me libertar de você e das minhas
expectativas.
Amor aqui nunca vai faltar. E eu só posso agradecer, pois não teria outra forma
de revelar o quanto eu posso traduzir em palavras o que eu sinto se não fossem
os momentos em que abismos e ventanias me esconderam na caverna do pensamento.
O abandono tende a nos levar a essa exclusão. E eu fui. Entrei lá nas profundezas
de uma bolha. A minha bolha de estimação.
Os pensamentos não eram claros no início. Por isso, eu voltava a pensar uma,
duas, dúzias de vezes para encontrar os detalhes e depois, juntá-los.
Eu descobri que existe um grau de masoquismo embutido no anseio de entender o
sofrimento. E considerando isso, eu sei que quanto mais eu penso, mais eu sofro.
Só que desprezar esses pensamentos nem de longe é uma vitória se todo o desconforto
prevalecer à mínima lembrança.
Então não. Por favor, não me faça cair nessa de que esquecer é o melhor
remédio. De que ignorar é a melhor opção. Tudo isso serve, mas só é eficaz
quando a gente se engole. Quando a gente se perdoa primeiro. E eu quero ter o
direito, o espaço e o tempo para isso.
Hoje eu sei que deixar de pensar no que me machuca pode me fazer correr o risco
de perder o prazer da descoberta, o grito de liberdade, o gosto da vitória... Que
é exatamente o ponto extremo do bem-estar. Com dor ou sem dor, o ato de pensar
não pode ser tirado. Então eu não aceito que me digam para esquecer ou para
lembrar em determinada hora. Eu só aceito a liberdade de pensamento, e esse não
é um braço para carregar um relógio cronometrado, e nem uma bomba para explodir
a um estalar de dedos.
O único mecanismo que funciona em mim é a percepção do tempo. E eu sei que ele
se prolonga nas minhas dificuldades emocionais na mesma proporção em que eu vou
fundo nos meus relacionamentos.
Compreendi tanta coisa a ponto de perder a ilusão em relação a quase tudo, mas
o mais incrível e mais eterno foi perceber que tudo o que era efêmero em você, se
tornou sólido em mim. Que eu posso ser o seu avesso e ainda assim estar no meu lado certo; mesmo se eu estiver na
contramão.
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